Monday, September 19, 2011

Posted by Unknown


Foi a primeira vez que Laura viu seu pai chorar. O que poderia ser?, pensou. Quis perguntar, mas hesitou. Coisa boa não era, disso ela tinha certeza. Já Luís continuava afogado em dúvidas. Mesmo tendo passado por tantos momentos de decisões difíceis, conseguindo chegar a uma resposta mais rápido do que imaginava, a notícia que tinha recebido naquele dia o fez pensar se realmente tinha feito a escolha certa, há 25 anos, quando decidiu optar por aquela que seria sua profissão pelo resto de sua vida: a medicina; mais ainda: há 19 anos, quando escolheu a Oncologia como principal área de atuação. Seu objetivo, com tais decisões, foi cuidar de pessoas à sua volta, talvez fazer dos seus últimos momentos aqui na Terra os melhores de suas vidas, mas Luís nunca havia imaginado que um dia teria de se preocupar de verdade com alguém que tivesse seu sangue correndo pelas veias, alguém que importava mais do que sua própria vida, alguém que em noites de frio dividia a cama em uma gostosa madrugada de risos, conversas e sonhos: sua filha. Por um momento, ao receber o resultado dos exames, pareceu que todo o conhecimento adquirido através de faculdade, mestrado, doutorado, cursos não existia mais. Era como se toda a experiência de mais de duas décadas de total entrega à carreira, de vida pelo trabalho, tivesse ido embora junto com a esperança de poder ajudar naquele caso. Não posso ajudar, admitiu. Laura, aos 10 anos, não parecia entender nada do que estava acontecendo, provavelmente não imaginava o tamanho das dúvidas de seu pai, e o tamanho da caminhada que teriam de traçar dali para frente. E as dúvidas continuavam: abrir mão do trabalho?, se render ao conhecimento de outros, ainda que de confiança? Câncer, sofrimento. Quimio, sofrimento. Criança, sofrimento. Decisões, decisões, decisões e mais sofrimento. Talvez fosse hora de ir deitar. Obviamente não conseguiria dormir, mas ver sua filha ali, respirando como um anjo, sorrindo com seu sonho, o convenceu a passar a noite ao seu lado, esquecendo tudo aquilo, aproveitando mais um momento com aquela que era a pessoa mais importante da sua vida, o presente mais especial que tivera recebido. 
Boa noite.

Bernardo Soares

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Tuesday, August 09, 2011

"Liberté, égalité, fraternité?"

Posted by Unknown



   Não vou mentir: eu não consigo entender a sociedade em que eu vivo. Não falo da sociedade de hoje, do século XXI, mas sim da sociedade de ontem e de sempre. Não entendo as pessoas, não entendo as atitudes, não entendo o que elas sentem quando agem com preconceito, violência, desamor. Não entendo como uma sociedade que busca a paz e igualdade convive com pessoas que deveriam ser semelhantes sendo postas no lixo por outras. Não entendo como alguém que pregamos ser nosso irmão, próximo, precisa se humilhar ao ponto de implorar por qualquer moeda na janela do carro zero de um burguês. Não entendo como enquanto uns buscam por roupas em vitrines de marca, outros buscam por pães dormidos ou mofados nas beiras das ruas... não entendo.
   A liberdade, igualdade, fraternidade que julgamos ter tomado conta da nossa sociedade com a Revolução Francesa nunca existiu. Imprestável, eu diria, ela foi. Se alguma pessoa nesse mundo tão grande pensa estar falando em ser igual, ser livre, quando discute sobre assuntos como política opções sexuais religião, talvez fosse aconselhável que esta fizesse um tour pelas áreas mais pobres da cidade, para que então depois refletisse sobre esse tipo de assunto. Se bem que, difícil de impedir, qualquer pessoa ao tentar discorrer sobre um desses assuntos "nada polêmicos, mas sim normais" da nossa sociedade não tem tanto cartaz quanto uma novela que critica as pessoas que violentam os gays, e aí "tudo vira bosta", como diria uma grande crítica brasileira, Rita Lee. 
   Essa não é uma redação qualquer, um texto escrito para vestibular, no qual são exigidas propostas, formas de mudar tudo isso, até porque seria impossível propor algo diante de tudo o que já foi proposto e posto em prática (ou tentado). É uma conclusão a se tomar, no minuto em que se acorda: a nossa sociedade continua a mesma de 2011 anos atrás, ou até mais. O que muda é o que o homem foi capaz de fazer externamente, como ipads, ipods, computadores, celulares de última geração, e muitas outras coisas... mas, internamente, nada mudou, continuamos os mesmos seres puros corrompidos pela sociedade, ou seja, nós mesmos, parafraseando Rousseau. Resta chorar? Acho que não... talvez seria preciso que fizéssemos a nossa parte. Será que é mais prazeroso dar 1 real para aquele menino que te ajudou a estacionar o carro ou dar um caderno e uma lapiseira, para que ele possa se sentir confortável ao ponto de entrar em uma escola? Será que o nosso dia só se torna mais feliz se falarmos mal das pessoas, se batermos em alguém na escola, se xingarmos no trânsito, se fecharmos a janela (janela essa que mantém seu sinônimo "oportunidade" sempre) para quem vem pedir ajuda, no sinal de trânsito?
   Não queria ter que ver a população niilizando a própria população, mas já que mudar o pensamento de um mundo conservador de um dia pro outro é tão impossível, talvez devêssemos começar pela admiração por cada pessoa que passa por nós na rua, pessoa essa que pode ser tão boa, ou até melhor que você, que eu, quando se trata de valores, de coração. Será que é tão importante que eu olhe para mim, para o que eu tenho de mudar, antes de olhar para o meu próximo? Sim! É o primeiro passo de tudo. E, como certa vez ouvi, "uma escada se sobe degrau por degrau, começando pelo primeiro" (Sergio Lins Gouveia, meu professor de Física). O anseio pela liberté, égalité, fraternité começou com o desejo de ser útil e se doar, com o desejo de amar o próximo como você se ama, com o desejo de se importar. Será que esse desejo vive no seu, no meu, no nosso coração?

Bernardo Soares

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Thursday, August 04, 2011

O platinado (GENIAL!)

Posted by Unknown

Sei tão pouco do motor de um carro quanto sei da alma humana. Olho o que tem debaixo do capô como se olhasse um abismo sem fundo e só peço do motor do meu carro que funcione, sem precisar entrar na sua intimidade.
Conheço algumas partes do motor de ouvir falar, claro, como o radiador e a bateria, e simpatizo com o virabrequim apesar de não ter a menor ideia do que seja. Mas o virabrequim é o limite do meu envolvimento com o abismo. Não sei o que é o platinado, por exemplo. E me surpreendo com o número de vezes em que o platinado é citado quando busco ajuda profissional para um motor com defeito.
Muitas vezes a opinião do mecânico precede um exame do motor.
— Talvez seja o platinado...
Outras vezes o exame confirma o diagnóstico precoce:
— É o platinado.
E é raro se ouvir que o platinado tem conserto.
Normalmente a única solução para um problema com o platinado é um procedimento radical. Transplante.
— Tem que trocar o platinado.
Cheguei a desconfiar que, como tenho cara de quem não sabe nada de motores, estavam me enganando, e trocar o platinado fosse só uma maneira de me cobrar mais. Talvez o platinado velho estivesse em perfeitas condições. Talvez nem existisse o platinado! Ou então a troca do platinado era a maneira prática de dispensar uma intervenção mais trabalhosa. Na falta do que fazer, trocava-se o platinado.
Penso no platinado sempre que ouço que mais um técnico de futebol foi trocado por outro, para melhorar a produção do time, acabar com uma fase má ou simplesmente aplacar uma torcida revoltada. A conclusão em todos os casos é que a culpa é do platinado e a solução é um platinado novo.
Quase sempre a culpa real é de uma administração incompetente ou um time irreparavelmente ruim, mas trocar isto equivaleria a ter que trocar todo o motor. E trocar o platinado adquiriu até uma conotação mística.
Um novo técnico teria, como um deus, a capacidade de mudar o clima no vestiário. De fazer pernas de pau acertarem chutes, jogadores cegos enxergarem a bola e ameaçados de sepultamento na zona de rebaixamento ressuscitarem.
Raramente consegue, o que não diminui o poder da ortodoxia: quando as coisas vão mal, troque-se o platinado.

Por Luís Fernando Veríssimo, em 4 de Agosto de 2011 no Jornal O Globo.

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Como diria Paulinho Moska, tudo novo de novo!

Posted by Unknown

É época de novidades!
Sumi desse Blog por um bom ano, e agora resolvi voltar!
Mas voltei pra mudar algumas coisas...


Pra começar, o nome: por que "Blog e Vestibular: dá pra conciliar?"?
Como a maioria sabe, estou passando por um daqueles momentos menos decisivos *ironia mode on* da vida de um adolescente; diante disso, fiquei pensando seriamente se valeria a pena voltar com o Blog, mas uma vontade enorme surgiu dentro de mim e resolvi reativá-lo!


O que vai ser falado?
Tudo! Desde as coisas do meu coração, tema do "falecido", como política, ciência, e tudo o mais. Um jornal bastante íntimo, diria eu!


Quando começa?
JÁ! O primeiro texto é uma crônica que me chamou muito a atenção, de Luís Fernando Veríssimo, e ela vem já no próximo post.


Aos que leem, aproveitem! Aos que não leem, tsc pena. :)
Que Deus nos abençoe!

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Thursday, January 20, 2011

Caritas - Era uma vez mais um final feliz

Posted by Unknown


Pensei em escrever uma crônica... adoro crônicas! Faltou o tema. E aí? Pensei sobre a angústia de um escritor em cronicar, mas já virou praxe, e crônicas sobre crônicas são conhecidas desde que minha vó nasceu. Desisti. Tinha jeito? Não. Daí apareceu um jeito! Um dia, 20/01/2011, que foi tamanho presente de Deus ao ponto de transformar meu pensamento, e dar um título à minha crônica já esquecida. Então voltei!
Quinta-feira foi dia de SOS. A Junta Diaconal (foto acima do texto) da Catedral Presbiteriana do Rio de Janeiro, minha Igreja - diga-se de passagem -, se mobilizou para ajudar! Quem? As vítimas de Nova Friburgo e Teresópolis, oras! Sim, todos estão ajudando, por isso mesmo.
Eu apareci por lá. Pra ajudar? A priori não (Odeio carregar coisas. Meus braços doloridos me confirmam isto neste momento). O objetivo foi fazer uma cobertura, com reportagem, entrevistas, desse dia tão especial. Até o momento em que eu e meu fiel escudeiro Esron O CAMERAMAN (foto abaixo do texto) relembramos Bananas de Pijamas com o famoso "B1, você sabe o que eu estou pensando?" "Eu acho que sim, B2!" e decidimos ir junto! Que maravilha seria se a cobertura se estendesse até Nova Friburgo e entrevistássemos algumas pessoas por lá! A princípio, minha mãe enlouqueceu. Óbvio. Principalmente quando eu disse que não iríamos pra Teresópolis, e sim Friburgo, onde a situação encontra-se (creio) pior. Pirou. Mas depois de umas 20 broncas de todos, a patroa liberou. Fomos nós! Como? Mala, cuia e bolsos vazios! Apenas a câmera, o microfone, e o Trident (Só Trident para deixar o hálito do repórter refrescante, senão o câmera não aguenta!) e o sorriso (de Trident, marketing uou) no rosto! A viagem foi rápida (nos detalhes sim, não no tempo), então vamos resumir a história. Chegamos! Lá? Povo lindo, alegre, sorridente, doido pra ajudar! E aí é que começa a coisa toda. Nunca vi tanta água na vida (meus braços doem de tantos engradados de Minalba - marketing uou - que quicaram na minha mão hoje), e nem roupa, mas aquela gente ficou satisfeita. Ver o sorriso no rosto daquelas pessoas faz qualquer cronista burro, sem ideias para assunto, lembrar que ainda existe gente interessada em fazer o bem, ajudar o próximo. Aquela história do "se você tivesse no avião caindo com duas pessoas e um pára-quedas, quem você salvaria?" se resume à três pessoas num mesmo pára-quedas, ilesas, depois de uma queda tranquila. Caridade. Ajuda! Não ter medo de aparecer e ajudar foi mais importante do que 20 toneladas de donativos, praquelas pessoas. Foi uma história com final feliz, e que pode continuar tendo vários finais felizes! Até porque, se as histórias não tivessem todas vários finais felizes, não fariam 20 filmes da Chapeuzinho Vermelho a cada dois anos, com finais diferentes. Se há como ter final feliz, porque estragaríamos este final? O incomparável sorriso de agradecimento espera por você, meu querido leitor. À hora que você quiser, no dia que você quiser, mas a tempo de ajudar. Vamos?


"O anjo respondeu: - Deus aceitou as suas orações e a ajuda que você tem dado aos pobres e Ele não esqueceu de você." Atos 10.4b

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