Tuesday, August 09, 2011

"Liberté, égalité, fraternité?"

Posted by Unknown



   Não vou mentir: eu não consigo entender a sociedade em que eu vivo. Não falo da sociedade de hoje, do século XXI, mas sim da sociedade de ontem e de sempre. Não entendo as pessoas, não entendo as atitudes, não entendo o que elas sentem quando agem com preconceito, violência, desamor. Não entendo como uma sociedade que busca a paz e igualdade convive com pessoas que deveriam ser semelhantes sendo postas no lixo por outras. Não entendo como alguém que pregamos ser nosso irmão, próximo, precisa se humilhar ao ponto de implorar por qualquer moeda na janela do carro zero de um burguês. Não entendo como enquanto uns buscam por roupas em vitrines de marca, outros buscam por pães dormidos ou mofados nas beiras das ruas... não entendo.
   A liberdade, igualdade, fraternidade que julgamos ter tomado conta da nossa sociedade com a Revolução Francesa nunca existiu. Imprestável, eu diria, ela foi. Se alguma pessoa nesse mundo tão grande pensa estar falando em ser igual, ser livre, quando discute sobre assuntos como política opções sexuais religião, talvez fosse aconselhável que esta fizesse um tour pelas áreas mais pobres da cidade, para que então depois refletisse sobre esse tipo de assunto. Se bem que, difícil de impedir, qualquer pessoa ao tentar discorrer sobre um desses assuntos "nada polêmicos, mas sim normais" da nossa sociedade não tem tanto cartaz quanto uma novela que critica as pessoas que violentam os gays, e aí "tudo vira bosta", como diria uma grande crítica brasileira, Rita Lee. 
   Essa não é uma redação qualquer, um texto escrito para vestibular, no qual são exigidas propostas, formas de mudar tudo isso, até porque seria impossível propor algo diante de tudo o que já foi proposto e posto em prática (ou tentado). É uma conclusão a se tomar, no minuto em que se acorda: a nossa sociedade continua a mesma de 2011 anos atrás, ou até mais. O que muda é o que o homem foi capaz de fazer externamente, como ipads, ipods, computadores, celulares de última geração, e muitas outras coisas... mas, internamente, nada mudou, continuamos os mesmos seres puros corrompidos pela sociedade, ou seja, nós mesmos, parafraseando Rousseau. Resta chorar? Acho que não... talvez seria preciso que fizéssemos a nossa parte. Será que é mais prazeroso dar 1 real para aquele menino que te ajudou a estacionar o carro ou dar um caderno e uma lapiseira, para que ele possa se sentir confortável ao ponto de entrar em uma escola? Será que o nosso dia só se torna mais feliz se falarmos mal das pessoas, se batermos em alguém na escola, se xingarmos no trânsito, se fecharmos a janela (janela essa que mantém seu sinônimo "oportunidade" sempre) para quem vem pedir ajuda, no sinal de trânsito?
   Não queria ter que ver a população niilizando a própria população, mas já que mudar o pensamento de um mundo conservador de um dia pro outro é tão impossível, talvez devêssemos começar pela admiração por cada pessoa que passa por nós na rua, pessoa essa que pode ser tão boa, ou até melhor que você, que eu, quando se trata de valores, de coração. Será que é tão importante que eu olhe para mim, para o que eu tenho de mudar, antes de olhar para o meu próximo? Sim! É o primeiro passo de tudo. E, como certa vez ouvi, "uma escada se sobe degrau por degrau, começando pelo primeiro" (Sergio Lins Gouveia, meu professor de Física). O anseio pela liberté, égalité, fraternité começou com o desejo de ser útil e se doar, com o desejo de amar o próximo como você se ama, com o desejo de se importar. Será que esse desejo vive no seu, no meu, no nosso coração?

Bernardo Soares

0 comments: