Monday, December 31, 2012

Mais da mesma

Posted by Unknown

        A solidão sempre chega com o fim do ano. Não adianta dizer que o próximo vai ser diferente, que promessas serão cumpridas: o que está por vir será sempre o mesmo. Como um ciclo. A vontade de estar sozinho, deitado no quarto, ouvindo a queima de fogos à meia noite é imensa. A vontade de não ligar para o que dizem e dirão, de não ser o que era antes e de procurar fazer diferente é imensa, mas a coragem de fazer é mínima. Até quando só iremos prometer? Até quando os desejos de uma virada de ano não passarão de desejos? Até quando o "ano novo vida nova" continuará sendo só uma frase de efeito? Talvez só dependa de mim. E da minha solidão.

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Sunday, December 30, 2012

Esperança

Posted by Unknown

        É verão. Muito mais que em todos os outros verões, tenho certeza da estação. "O Sol está perigoso", dizem os jornais. O ar condicionado passou a ser um objeto de sobrevivência, em vez de luxo. As redes sociais só reproduzem fotos de praias piscinas clubes biquínis sungas maiôs bóias baleias encalhadas - outras nem tão encalhadas, mas deitadas, se queimando, na areia. No cair da tarde, vem o tão esperado cheiro de terra molhada. Ah!, a chuva! A promessa de um dia mais fresco, menos agitado. De menos dores de cabeça, de uma vontade maior de sair de casa, de uma conta de luz mais barata. A praia esvazia, as tevês ligam, a internet sobrecarrega, a ventania começa. As árvores balançam, a rua fica deserta, a tevê a cabo sai do ar, a luz pisca. A mesma luz acaba de vez, as velas acendem, a família se reúne.
        Me perdoe perder - ou ganhar - um tempo maior falando sobre a reunião da família. Talvez um dos momentos mais preciosos de uma chuva de verão. Um simples apagão - simples apenas nesse sentido - é capaz de reunir o que programas de televisão, jogos, almoços e jantares não conseguem. A mesma esperança que a chuva traz ao verão - a de menores temperaturas - também é levada às famílias, na minha humilde opinião. A comunicação familiar tem perdido sua essência nos últimos tempos. Não vou começar a culpar a internet ou as próprias pessoas, apenas creio que tudo seja culpa do tempo - devolvido pela queda de luz. Sem quaisquer distrações, os assuntos surgem, as conversas fluem e os pensamentos se encaixam. Ainda chove.
        "Chuvas de verão são passageiras" eu realmente gostaria de entender a temporariedade de tais chuvas. Não entendendo, acabo atribuindo à estas a simples - e importante - tarefa de nos fazer esperar. Esperar pelo que perdemos, pelo que esquecemos,  pelo que não temos. Infelizmente - pra alguns, felizmente - é só uma chuva. A luz voltou, o sinal da tevê voltou, a praia encheu, a rua encheu, e as esperanças, vazias, foram embora, e só voltarão na próxima tarde, com o cheiro de terra molhada. Foi só mais uma chuva de verão.

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Saturday, December 29, 2012

Vida nova ou reciclada?

Posted by Unknown

       Às vezes penso que, quanto mais pessoas vejo à minha volta, mais solitário me sinto. Estranho, mas real. Datas tão comemorativas e demoradas como o Natal e a virada do ano deixam a casa cheia, os shoppings cheios, a mesa cheia, mas deixam a cabeça cheia, também, de certa forma. E o calor infernal, que não aparece mais violento desde 1915, de acordo com os jornais, ainda torra mais os neurônios de quem tenta organizar um pouco a mente. E, confesso não saber explicar esse fenômeno - mesmo sabendo que não sou o único a passar por isso -, as pessoas à minha volta, trocando presentes, assistindo tevê, falando da vida, rindo, bebendo, parecem não existir por alguns bons momentos - pelo menos até a "hora dos abraços", a meia noite. Os acontecimentos e as pendências de todo o ano parecem se acumular e pressionar a cabeça, pedindo soluções, pedindo novidades. Não gosto de falar de sonhos - prefiro sonhar - mas, se pudesse escolher um presente pro ano que está por vir, desejaria não encontrar uma mente gritando por soluções quando ele chegasse ao fim. É difícil - ou impossível - não ter poblemas, ou conseguir resolvê-los até o fim de um ano, mas não custa querer fazer/ser diferente. Não custa deixar de lado as promessas e pensar no que tem de ser resolvido. Até lá, seria um bom começo começar a perceber as pessoas à minha volta e deixar de me sentir sozinho em datas comemorativas tão importantes. Na verdade sempre enxerguei, como principal solução de um problema, as coisas que estivessem me incomodando. Pedras no sapato sempre criam problemas. Só preciso tirar o sapato e sacudir. Sacudir a areia, sacudir a mente, sacudir a vida. Me resta tentar.

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Monday, December 24, 2012

Quando eu pensava que todo mundo era filho do Noel...

Posted by Unknown


       Quando pequeno, confesso que eu era um pouco revoltado com o tal Nicolau, ou Papai Noel, como muita gente chama por aí. Todo 24 de dezembro o mesmo ritual: acordar, ver tevê, almoçar, escrever a cartinha - a poderosa - do Papai com o presente escolhido, colocá-la embaixo da bota vermelha na janela e ir tomar banho. Pasmo, quando voltava do chuveiro, não existia mais cartinha. "O Papai Noel levou", juro que dizia todo feliz. A ansiedade pela meia noite era imensa! Os bonecos, CDs, DVDs, livros que eu pedia sempre chegavam depois da meia noite. Nunca entendi o porquê. Natal não é comemorado nos dois dias? Sei lá.
O que me matava de curiosidade era o fato de que nada que eu pedia pro seu Nick - pros íntimos - chegava do jeito que eu queria. Um dia ousei pedir o boneco do Woody - sim, aquele do Toy Story (quem não assistiu não teve infância) - e, pra minha surpresa, chegou um carrinho de controle remoto. "Mas você ficou feliz, né!? É um carrinho de controle remoto!!!", você dirá, mas na verdade não. Deixa eu explicar. Nunca fui muito fã de carros. Na verdade nem sei como vai ser pra começar a dirigir - a vontade não vem. Por favor, não me julgue. Eu sempre gostei muito de ler, digitar coisas, escrever e tudo o mais. Por isso gostava de bonecos, já que eu inventava muitas histórias - projeto de um escritor de fábulas (que não deu certo, diga-se de passagem)!
Voltando ao que eu realmente queria dizer: penso que eu tinha tudo pra não acreditar no Natal. Todos os motivos. Todos, mas ao mesmo tempo nenhum. Afinal, o Papai Noel, as cartinhas, os presentes nada desejados e as tias me perguntando das namoradinhas não faziam tanto sentido assim. Quando eu realmente comecei a entender as coisas - não todas as coisas; ainda hoje não entendo de tudo e penso que nunca entenderei -, descobri que o verdadeiro significado do Natal, Navidad, Noël, Christmas, não tinha nada com vermelho! O Natal começa na estrela-guia, nos pastores, nos reis magos, no jumento, na vaquinha, em Maria, José, no Menino Jesus. O Natal começa na fé, na crença no nascimento da Esperança, do Amor Incondicional.
Nunca algo fez tanto sentido. O Natal, antes uma época de escrever cartinhas e dar presentes, passou a ser uma prova de amor. E todos os anos viraram eternos presentes. E o Natal virou um eterno presente. "Mas e o Papai Noel?", já me perguntaram. E eu confesso: faria tudo de novo! Mandaria cartinhas, esperaria presentes. E por que não apresentá-lo aos meus filhos? É bom sonhar. Até porque, não conhecer a verdadeira história do Natal até certo momento aumenta o prazer no momento de ouvi-la, certo? Talvez, conhecendo o real sentido natalino desde a infância, a importância dada a ele não seria a mesma. Ou seria?
O que importa é que nasceu um Menino, e tudo o que sonho é que Ele nasça em nós em todo o Natal. Com ou sem Papai Noel, mas com um sentimento de serviço no nosso coração. Com ou sem presentes, mas sendo tais presentes na vida dos que nos rodeiam. Com ou sem pisca-piscas, mas brilhando de felicidade na vida das pessoas ao redor. Vamos fazer o nosso próprio Natal? Feliz Natal!

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Thursday, December 06, 2012

Por um céu com mais curvas

Posted by Unknown



       Cento e cinco anos. Talvez por extenso se tenha uma ideia mais clara de quanto tempo cabe em 105 anos. Talvez não. Talvez seja possível prever quantos rabiscos saem de uma cabeça em tantos anos de vida. Talvez não. A verdade é que Oscar Niemeyer, o grande poeta das curvas, dos desenhos, da arquitetura, era um homem sem talvez. Com tiros certeiros, atingiu a modernidade desde a antiguidade e transformou o modo de se enxergar a vida. Um homem que provou que a arte - certamente - é pra poucos. Não para os poucos chatos acadêmicos parnasianos "cultos", mas para os que vivem na simplicidade e na complexidade de se pensar de forma diferente, de desejar chocar, de ser original. Eu, obviamente, no auge dos meus 19 anos - trancado no quarto escrevendo textos prum blog -, não sei o que seria uma vida sem alguém tão criativo e misterioso quanto Oscar - pros íntimos. Com muita certeza, conhecendo os trabalhos do gênio, não acharia graça num mundo sem o Palácio da Alvorada ou o do Planalto - JK me perdoe, mas os meus créditos da lindeza brasiliana nunca irão para ele. Niemeyer era único, e ponto. Se em tantos anos de vida do velho não se encontrou alguém sequer parecido, como depois de sua ida será possível achar? Nunca. Talvez com outras curvas, e atalhos, alguém alcance novas perspectivas e contemporaneidades, mas o modernismo niemeyeriano se foi com ele. Ou será que o artista continua sempre vivo com suas obras?
       Não acredito que tantos anos de vida não deixem lições. Espremendo ao máximo, depois de tantas novas plantas e projetos inacabados, escorrem alguns aprendizados da vida de alguém tão especial: que sua vontade de ser ímpar seja um disparo para a originalidade em cada um de nós. Muitos anos depois de uma semana de 1922 cheia de novos caminhos para a arte, o mundo se acostumou com os 15 minutos de fama de Andy Warhol e perdeu a vontade de ficar para a História, mas alguém que esteve presente trouxe esse sentimento de perenidade para todos nós, o que o fez, ainda que não em carne e osso, viver mais de 105 anos. Que a vontade de viver - e seus cento e cinco (novamente em extenso, pra que fique mais fácil enxergar sua extensão) anos provam isso - volte a fazer parte de nós. Não apenas pelos avanços da Medicina e da Genética, mas pela alegria de aproveitarmos ao máximo aquilo que nos é oferecido - a vida - e pelo prazer de, como o próprio Oscar, ainda que nos últimos momentos de vida, pedirmos pastéis e café na cama, simplesmente porque nos fazem mais felizes. "Mas Niemeyer era rico!", você dirá. E eu entendo. Me pergunto até agora, com muita certeza - e medo - da resposta, se isso foi um dos fatores que o fizeram feliz, mas não acredito que tenha sido o principal, o crucial. Em grande parte das entrevistas que assisti, o artista sempre se encontrava com um lápis, ou uma caneta, na mão. Talvez seja esse o principal fator: o anseio por desenhar a vida à sua forma, ao seu olhar. E por que não adotarmos tal sentido em nossas vidas? Talvez consigamos viver os 105 anos. Talvez vivamos apenas 30 mas, assim como aconteceu com Oscar Niemeyer - nóeis, tons e cartolas comprovam -, o tempo de vida será pouco importante quando o que realmente somos for eterno. "Que seja infinito enquanto dure" pode até se encaixar no amor, mas na vida de alguém como Niemeyer, me perdoe Vinícius, o que tiver de ser infinito o será para sempre, imortal. O céu ganhou um novo arquiteto, e garanto que o que meus bisavós encontraram por lá vai estar bem diferente quando eu chegar. Oscar não merece um minuto de silêncio, mas cento e cinco anos de aplausos. 
Ou até mais.

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