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Quando pequeno, confesso que eu era um pouco revoltado com o tal Nicolau, ou Papai Noel, como muita gente chama por aí. Todo 24 de dezembro o mesmo ritual: acordar, ver tevê, almoçar, escrever a cartinha - a poderosa - do Papai com o presente escolhido, colocá-la embaixo da bota vermelha na janela e ir tomar banho. Pasmo, quando voltava do chuveiro, não existia mais cartinha. "O Papai Noel levou", juro que dizia todo feliz. A ansiedade pela meia noite era imensa! Os bonecos, CDs, DVDs, livros que eu pedia sempre chegavam depois da meia noite. Nunca entendi o porquê. Natal não é comemorado nos dois dias? Sei lá.
O que me matava de curiosidade era o fato de que nada que eu pedia pro seu Nick - pros íntimos - chegava do jeito que eu queria. Um dia ousei pedir o boneco do Woody - sim, aquele do Toy Story (quem não assistiu não teve infância) - e, pra minha surpresa, chegou um carrinho de controle remoto. "Mas você ficou feliz, né!? É um carrinho de controle remoto!!!", você dirá, mas na verdade não. Deixa eu explicar. Nunca fui muito fã de carros. Na verdade nem sei como vai ser pra começar a dirigir - a vontade não vem. Por favor, não me julgue. Eu sempre gostei muito de ler, digitar coisas, escrever e tudo o mais. Por isso gostava de bonecos, já que eu inventava muitas histórias - projeto de um escritor de fábulas (que não deu certo, diga-se de passagem)!
Voltando ao que eu realmente queria dizer: penso que eu tinha tudo pra não acreditar no Natal. Todos os motivos. Todos, mas ao mesmo tempo nenhum. Afinal, o Papai Noel, as cartinhas, os presentes nada desejados e as tias me perguntando das namoradinhas não faziam tanto sentido assim. Quando eu realmente comecei a entender as coisas - não todas as coisas; ainda hoje não entendo de tudo e penso que nunca entenderei -, descobri que o verdadeiro significado do Natal, Navidad, Noël, Christmas, não tinha nada com vermelho! O Natal começa na estrela-guia, nos pastores, nos reis magos, no jumento, na vaquinha, em Maria, José, no Menino Jesus. O Natal começa na fé, na crença no nascimento da Esperança, do Amor Incondicional.
Nunca algo fez tanto sentido. O Natal, antes uma época de escrever cartinhas e dar presentes, passou a ser uma prova de amor. E todos os anos viraram eternos presentes. E o Natal virou um eterno presente. "Mas e o Papai Noel?", já me perguntaram. E eu confesso: faria tudo de novo! Mandaria cartinhas, esperaria presentes. E por que não apresentá-lo aos meus filhos? É bom sonhar. Até porque, não conhecer a verdadeira história do Natal até certo momento aumenta o prazer no momento de ouvi-la, certo? Talvez, conhecendo o real sentido natalino desde a infância, a importância dada a ele não seria a mesma. Ou seria?
O que importa é que nasceu um Menino, e tudo o que sonho é que Ele nasça em nós em todo o Natal. Com ou sem Papai Noel, mas com um sentimento de serviço no nosso coração. Com ou sem presentes, mas sendo tais presentes na vida dos que nos rodeiam. Com ou sem pisca-piscas, mas brilhando de felicidade na vida das pessoas ao redor. Vamos fazer o nosso próprio Natal? Feliz Natal!
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