Carta a uma velha amiga
Posted by Unknown
Cara Felicidade,
Noite passada tive um sonho: sonhei que conversava com sentimentos. Alguns meus, outros perdidos, outros ainda intocáveis. Sonhei que era possível escolher quando tê-los e quando deixá-los, que era possível decidir sua intensidade e a quem seriam destinados, ou que pudesse mudar do riso pro pranto como nosso Senhor fez com a água e o vinho. Depois percebi que estava apenas dormindo. Acordei triste - se é que ainda tinha a tristeza comigo - e com dor - se é que também a tinha, ainda. Percebi que sentimentos vão e vêm nas suas próprias vontades. Percebi que era mais simples que conversassem com o próprio tempo a conversarem comigo ou meu coração, simples sonhadores. Por isso o motivo de uma tão apelativa carta: se não posso decidir que volte agora, apenas imploro que seja breve. E, quando chegar, não vá embora, eu lhe peço. Prometo guardá-la comigo como se fosse sempre o dia de sua chegada - com novidades de vida e histórias pra contar (e viver!) - e de sua partida - quando a vontade de vê-la novamente, a cada amanhecer, é maior. Por favor, não demore.
Com amor - o único que ainda não se foi (e creio que nunca se vá, assim como a minha própria fé),
Bernardo.
Noite passada tive um sonho: sonhei que conversava com sentimentos. Alguns meus, outros perdidos, outros ainda intocáveis. Sonhei que era possível escolher quando tê-los e quando deixá-los, que era possível decidir sua intensidade e a quem seriam destinados, ou que pudesse mudar do riso pro pranto como nosso Senhor fez com a água e o vinho. Depois percebi que estava apenas dormindo. Acordei triste - se é que ainda tinha a tristeza comigo - e com dor - se é que também a tinha, ainda. Percebi que sentimentos vão e vêm nas suas próprias vontades. Percebi que era mais simples que conversassem com o próprio tempo a conversarem comigo ou meu coração, simples sonhadores. Por isso o motivo de uma tão apelativa carta: se não posso decidir que volte agora, apenas imploro que seja breve. E, quando chegar, não vá embora, eu lhe peço. Prometo guardá-la comigo como se fosse sempre o dia de sua chegada - com novidades de vida e histórias pra contar (e viver!) - e de sua partida - quando a vontade de vê-la novamente, a cada amanhecer, é maior. Por favor, não demore.
Com amor - o único que ainda não se foi (e creio que nunca se vá, assim como a minha própria fé),
Bernardo.
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